Nas preparações habituais para os campeonatos de fisiculturismo, os atletas seguem um “padrão”, apenas com variação na quantidade de alimentos, que ocorre pelas necessidades do atleta (perder gordura, ganhar massa, se manter com gordura e massa, e etc), somadas às características fisiológicas como altura, peso e também a questão da categoria que o atleta disputa, pois cada uma tem um padrão físico/estético.
 
O atleta Henrique Azevedo é ex jogador de futebol do Avaí, e nos revela seus segredos para chegar ao pódio e de sua preparação para o Muscle Contest, importante campeonato internacional de bodybuilding e fitness que acontecerá em 10 dias em São Paulo. Henrique é o atual vice-campeão do Arnold Sports South America, que é um campeonato de fisiculturismo promovido em nível mundial por Arnold Schwarzenegger, ícone do fisiculturismo, e que premia anualmente os melhores atletas em suas categorias dentro do bodybuilding e fitness.
 
Henrique conta as estratégias que usou para chegar ao pódio no Arnold Classic: “Nós atletas costumamos reduzir muito ou cortar o consumo de carboidratos faltando 7 dias para a competição. Manipulamos também variáveis como água e sal, fazendo hiper hidratação, chegando a consumir 12 litros de água em um único dia, e excluir o sal até a véspera da competição. Para chegar ao pódio, fiz uso de estratégias similares, com algumas poucas variações”.
 
essPara o Muscle Contest, Henrique e seu coach, Diogo Montenegro, adotaram uma estratégia bem diferente, com base em tecnologia de ponta: “aproveitamos que fiz um exame de mapeamento genético ano passado, em que são avaliadas as aptidões genéticas para alimentação e exercícios físicos, para colocar em prática uma das conclusões do exame, que meu corpo tende a aproveitar melhor as gorduras do que os carboidratos para gerar energia. Desta forma, cortamos totalmente os carboidratos quando faltavam 25 dias para o campeonato, obrigando o corpo a usar principalmente as reservas de gordura como fonte de energia, em estado de cetose. Assim, em 3 semanas, meu peso baixou de 85 para 79kg, reduzindo o percentual de gordura corporal, com manutenção e até crescimento de massa muscular”. 
 
Todos esses processos demandam dos atletas um alto preço durante a preparação. O caminho até os palcos, apresentando aos jurados um corpo escultural e músculos definidos, é tortuoso e tem seus percalços: “Os primeiros 2 dias sem carboidratos foram um inferno. Enjoei, tive dor de cabeça e muito sono. Mesmo assim não cedemos e não recorremos a estimulantes, nem mesmo à cafeína. Mantivemos apenas proteínas e gorduras boas. Carnes como salmão e atum, raramente utilizados por atletas em fases finais de preparação, entraram na dieta 2x por dia. Carne vermelha também, passou a ser a refeição pré treino junto à castanhas do pará e amêndoas. No terceiro dia eu já me sentia ótimo, e meus rendimentos nos treinos passaram a melhorar dia após dia, enquanto percebia o meu físico mudando pra melhor, cada vez com menos gordura e retenção hídrica.” Revela Henrique.
 
Mas nem tudo é dor e sofrimento na preparação para os campeonatos. Ontem, após 17 dias de dieta cetogênica, e faltando 10 dias para competição, Henrique foi liberado pelo coach para fazer uma refeição livre, comendo o que eu quisesse e nas quantidades que eu quisesse: “Meu coach disse que isso foi para que o corpo assustasse com os carboidratos e gorduras ruins que iriam entrar e reagisse acelerando ainda mais o metabolismo. Como confio no meu coach, fui a um rodízio de pizzas e massas e comi 31 fatias (risos). Acordei mais denso e seco ainda. É dificílimo um atleta fazer refeição livre a 10 dias de um campeonato, mas como o período de restrição era longo, fizemos sem medo e deu certo. A estratégia que utilizamos, portanto, foi de antecipar a estratégia extrema pré campeonato, para uma fase em que ainda não havia nervosismo, ansiedade e stress pela proximidade da competição, e portanto, não haveriam outros fatores desgastantes para atrapalhar”. Conclui.