A marca de Luis Fiod estreou no SPFW com seu streetwear de luxo

Foto: Marcelo Soubhia / Fotosite

 

Como adiantamos hoje em uma entrevista com o diretor criativo, a coleção tem três pilares: floresta, campo militar e demolição; cada um gera um grupo de shapes e estampas.

A Torinno pode preencher um gap que existe para consumidores de todas as idades com espírito livre, que buscam por algo diferente e com qualidade e que não se contentam somente pelo arroz e feijão da moda masculina.

Vale destacar o trabalho no couro, especialmente nas jaquetas e bermudas, como no segundo look, em Leo Picon, e no conjunto com acabamento metalizado e fundo laranja na área do bolso. São pequenos detalhes de corte e cor, mas que fazem toda a diferença.

Cores e estampas fazem parte do DNA da marca e neste desfile não foi diferente. Há um trabalho forte com tons ora sóbrios, ora acesos, e um destaque para a estamparia. De 46 looks, 14 são estampados, reforçando a aposta da marca em criar uma estética fora do lugar comum para o público masculino.

Em uma entrevista mais cedo, Luis celebrou o fato de que a Torinno tem agradado tanto homens quanto mulheres – e de fato, posso imaginar que isso aconteça. Eu mesma, passeando pelo Instagram da marca e até mesmo no desfile de hoje, vi jaquetas e calças que poderia usar tranquilamente. E é exatamente por isso que não consigo entender os looks femininos mostrados no desfile – há quatro deles (o último em Deborah Secco).

Quando a marca cria especificamente para a mulher, ela perde sua essência.  Tudo o que ela tem de diferencial se perde, pois passa a enxergar a mulher com um olhar antigo: vestidos mais justos, comprimentos curtíssimos e saltos altíssimos. Uma mulher poderosa, impecável e inatingível hoje parece fora de contexto, devido ao momento mesmo e todas as suas transformações. Se vale uma contribuição aqui, a Torinno pode seguir fazendo o que faz melhor – isso já é o suficiente para conquistar o público feminino.

Um salve para a trilha de Max Blum, que abriu o desfile com a linda Yes I’m Changing, do Tame Impala.